Ao longo dos últimos tempos (mais concretamente desde que resolvi voltar a pegar nas agulhas e nas lãs) foram várias as pessoas com quem comentei que decidi recuperar este hábito (que nunca o chegou a ser, diga-se em abono da verdade) que me responderam com espanto “Sabes fazer isso? Como é que aprendeste?”. Acho engraçado que a primeira reacção das pessoas seja sempre um misto de espanto com curiosidade. A ideia com que fico é que, por um lado, ninguém está à espera que uma mulher urbana de trinta e um anos tenha interesse por  algo que ainda é visto como uma espécie de actividade de domínio exclusivo de avós que juntam o útil ao agradável, permitindo-lhes ocupar o tempo enquanto constroem botinhas e camisolas para os netos. (A este propósito, não posso deixar de referir que este tipo de pensamento já foi mais vincado do que é actualmente, e penso que isso se deve muito a uma série de movimentos de artesanato urbano – já disse por aqui que não gosto muito desta expressão, não já? – que têm surgido nos últimos anos, muito potenciados por uma comunidade muito forte de bloggers que se dedicam a este tipo de coisas e as partilham com o mundo através dos seus sites.) Por outro lado, porque me parece haver também uma ideia generalizada de que trabalhar fios de lã em malha com a ajuda de duas agulhas é uma espécie de ciência oculta e complexa. E isto eu até percebo, que há para aí muito esquema e muito ponto que consigo tão facilmente compreender como compreenderia um tratado sobre o pensamento Kantiano escrito em árabe. Mas se formos olhar para os pontos mais básicos, acredito mesmo que só não os consegue fazer quem nem sequer tenta. Porque são mesmo fáceis e, por serem básicos, não significa que tenham de ser feios. Não são de todo.

Posto isto, andei por aqui uns dias a pensar como poderia fazer dois ou três tutoriais das coisas mais simples e, por experiência própria, sei que a melhor forma de aprender é ver alguém a fazer. Não tendo eu câmara de vídeo (embora gostasse de ter – ouviste, Pai Natal? esta é para ti!) mas, principalmente, havendo milhares de bons tutoriais por essa internet fora, optei por não complicar. Coincidência ou não, há uns dias a minha mãe falou-me de um site que é assim uma espécie de 8ª maravilha do mundo do tricot e do crochet. Está disponível em várias línguas, tem modelos e explicações de tudo o que possam imaginar, vídeos com demonstrações dos principais pontos e técnicas de tricot e, a cereja no topo do bolo, uma espécie de glossário que explica as principais diferenças entre os nomes dos pontos/técnicas em português de Portugal e o do Brasil (muito útil porque nomes semelhantes significam coisas distintas nos dois idiomas e vice-versa).

O site chama-se Drops Design, e podem encontrá-lo clicando aqui. Se estiverem a iniciar-se nestas andanças, recomendo que comecem por espreitar a Escola de Lavores, onde podem encontrar os tutoriais em vídeo. E depois disto, acreditem em mim, o difícil vai ser decidir por onde começar. Pela parte que me toca, assim que terminar o que estou a fazer, vou ver se consigo fazer isto. Será que consigo? Mais tarde vos direi! :)

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