Música para a pele

(i promise to write the english version later. for now, click here)

Eu não sou uma pessoa de bandas (se não contarmos com as duas ou três excepções que confirmam esta regra e nem essas são excepções ‘totais’). Claro que passei por meia dúzia de paixonites musicais agudas na adolescência (umas com mais potencial para me envergonhar actualmente do que outras – e aproveito, desde já, para proibir a minha irmã de se pronunciar aqui sobre este assunto!), mas isso não conta. Aliás, regra geral, nada do que fazemos, dizemos, pensamos ou achamos que queremos na adolescência conta para nada. Mas, dizia eu que não sou uma pessoa de bandas. Não sou. Eu sou mais uma pessoa de músicas. E qualquer um que pegue no meu ipod concluirá isso rapidamente a partir da esquizofrenia de estilos e intérpretes que por lá habita (isso ou que não percebo nada de música, o que também não será completamente falso). É que – como explicar isto? – eu ouço música de forma física. E isso não tem nada a ver com o facto de precisar de ouvidos e de ossículos bem oleados e de um tímpano a funcionar na perfeição (coisa que, já agora, não existe por aqui) para ouvir música. É que eu não ouço música com os ouvidos (está bem, ouço, mas deixem-me lá não ser literal para explicar isto), oiço-a com os neurónios, com os pulmões, com o coração, com a pele. Acho que principalmente com a pele. A música de que eu gosto é aquela que me interfere com as sinapses e com os impulsos eléctricos que fazem o meu coração bater mas é, acima de tudo, aquela que me arrepia a pele e me eriça os pêlos dos braços. É a música que me faz sentir coisas que transcendem a própria música, boas ou más, mas coisas (e normalmente não são más porque para me deprimir tenho um leque imenso de alternativas possíveis, não preciso de ir ouvir música).

E esta música, que nem sei bem de quem é (saber o nome de quem a canta não é a mesma coisa que saber quem ele é), é uma das que ultimamente me consegue entrar na pele e fazer-me sentir e pensar em coisas (boas).  E não será este, afinal, o propósito último de quem cria (supondo que não o faz apenas para expiar traumas e demónios)?

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17 thoughts on “Música para a pele

  1. oh identifiquei-me tanto como o que escreveste! há coisas que não se explicam nem se deviam justificar e o gosto por música é uma delas. seja pela melodia, seja pela letra que tem tudo-a-ver-connosco-naquele-momento (oh adolescência!). não importa o porquê, até porque muitas vezes não conseguimos apontar o dedo. pode ser mau para o resto do mundo mas se nos diz alguma coisa, se sentimos na pele, se faz sentido, o resto não importa, não é?

    apesar de estar sempre a passar no rádio, acabei agora de ver o vídeo pela primeira vez. nunca me tinha dado para isso. mas posso dizer-te que na minha cabeça o filme sempre foi em slow motion. imagino-a como banda sonora num vídeo de uma festa, de um casamento, onde todos dançam, de ar feliz e as caretas e movimentos são mostrados devagarinho, como que a prolongar mais o momento feliz. tenho a mania de fazer os ‘telediscos’ da minha cabeça quando oiço as músicas, mesmo antes de ver os vídeos oficiais. não que tenha muita imaginação, mas

    desculpa tudo isto (demais, até?), mas ía desligar o computador para me pôr a caminho de casa e não tive como não dizer qualquer coisa. puxaste-me pela língua ;)

    beijinho
    (cris@lj)

    1. Sentimos na pele e nos pulmões que, reparo agora, esqueci-me deles. As músicas de que gostamos são também aquelas que nos enchem os pulmões de ar, que parece que lhes aumentam a capacidade de receber oxigénio. É isto mesmo.

      Também nunca tinha visto o vídeo e sim, é uma música que encaixa bem em momentos que se querem prolongar :)
      Sabes o que é engraçado? Quando encontro uma música assim, resisto sempre à tentação de prestar atenção à letra ou mesmo ir procurá-la. Porque tenho receio que a letra lhe roube o significado que eu lhe dou (já aconteceu muitas vezes). É por isso que, cada vez mais, sei menos letras de músicas. Não que ouça menos música mas porque quero que o que elas me fazem sentir não mude. Faz-te sentido?

      Palavras a mais nunca são palavras demais. Comenta sempre e comenta muito, que eu gosto tanto! :))

  2. Também adoro essa música e também sou uma pessoa de músicas e não de bandas. Socialmente isso não é bem “aceite”, porque tens de ter bandas preferidas! “O que é que ouves?” é aquela pergunta que me faz gaguejar um pouco, confesso, mas é mesmo assim. Vou com o vento e sensações que as músicas me trazem

    1. Responde como eu: ouço música. É uma reposta que normalmente baralha mas que, também normalmente, põe fim à conversa (precisamente porque baralha) :)

  3. ADORO essa música! é daquelas que dá vontade de saltar e rir e dançar e tudo ao mesmo tempo! mas gosto, sobretudo, de a ouvir no carro com as janelas abertas e cantar a altos berros :D

      1. hihihi :) e agora pus-me distraidamente a cantar no meu lugar, com a certeza de que quando chegar a casa a vou pôr aos berros na sala :) hihi

          1. your wish is my command!

            (consigo não cantar, mas tenho de me mexer – pelo menos bater o compasso com o pé – e dizer todas as palavrinhas como se estivesse aos gritos!)
            :)

            1. mexer até é bom para quem passa muito tempo sentado. podes sempre dizer que estás a fazer alongamentos, que são ergonomico-laboralmente importantes :D

  4. Engraçado, essa música tem exactamente o mesmo efeito (esse que tão habilmente consegues descrever) em mim! Provoca-me arrepios, calafrios, como se tivesse uma corrente eléctrica a percorrer-me o corpo, e que culmina numa espécie de espasmos que me dão para a cantar em plenos pulmões; dá-me vontade de gritar, de correr, de saltar, de abraçar, de rir, de amar. Faz-me sentir que cabem em mim todos os sonhos e coisas boas que possam, eventualmente, fazer parte da nossa existência; que sou capaz de qualquer coisa neste mundo, e que não há nada nem ninguém que me possa impedir de tal feito hercúleo.

    Essa é, de facto, música para a pele, mas acho que para mim é ainda mais do que isso; é música para aquilo que temos cá dentro (uns chamar-lhe-ão alma; outros espírito; eu não sei que lhe hei-de chamar, por isso chamo-lhe “o que temos cá dentro”).
    :)

    um beijinho muito grande e obrigada por todas estas tuas partilhas ;)
    p.s.: ontem fiz a tua receita de scones de framboesas, mas à falta de framboesas, substituí por morangos :D e devo-te dizer que ficou… uma delícia!

    1. Cada vez mais acho que chamo pele àquilo a que outros chamarão alma (tenho esta dificuldade em conceber coisas para lá das células, é uma chatice), pelo que estamos completamente de acordo.

      Com morangos também devem ficar muito bons (aliás, qualquer fruto vermelho tem potencial para resultar), principalmente se estiverem bem maduros, para quase “derreterem” quando vão ao forno (que foi o que aconteceu com as framboesas).

      Outro beijinho para ti :)*

  5. ouvir musica é algo geralmente mt intenso para mim, tanto que dificilmente me consigo abstrair da musica de fundo/ambiente ou que ligo certas musicas a certos acontecimentos/fases de vida. portanto, acho que te percebo :)

    infelizmente n concordamos relativamente a esta musica. quando a ouço, sinto melancolia. desde a 1ª vez que a ouvi, num trailer de um filme, e não sei explicar porque.

    ****

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