E se eu ganhasse o euromilhões?

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Hoje durante a tarde, enquanto trabalhava, a pessoa com quem estava falou sobre ganhar o euromilhões. No momento em que o ouvi acho que não processei logo a informação mas um minuto depois foi como se, de repente, aquela improbabilidade pudesse ser provável para mim (talvez por não jogar acho que nunca tinha parado para pensar a sério no que faria se uma coisa assim me acontecesse) . “Bolas… ganhar o euromilhões… ia inscrever-me num curso de fotografia em Nova Iorque e não fazia mais nada a não ser fotografar até ao fim da vida”. (Nova Iorque é a parte que é capricho de milionária.)

Porque logo que me liberto das mil coisas que obrigatoriamente enchem os meus dias, a minha cabeça enche-se do verbo fotografar. E sim, quando penso no que me faz o coração bater mais depressa (sem ser por estar à beira de uma síncope cardíaca induzida pelo stress, como acontece com alguma frequência) penso na felicidade que invariavelmente sinto quando tenho a possibilidade de acompanhar e registar em fotografias momentos especiais na vida de pessoas que provavelmente nunca viria a conhecer de outro modo. E porque há já algum tempo que deixei de ter dúvidas sobre o que quero ser e fazer. Apenas vivo na urgência de conseguir lá chegar.

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Dia mundial da Fotografia

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O dia de hoje não foi dos melhores, daqueles que chegam ao fim connosco a pensar que fizemos tudo o que queríamos fazer e que aproveitámos ao máximo cada uma das suas 24 horas. Na verdade, este dia que ainda não terminou mas está quase a terminar, está bem longe disso. Mas chegar a casa cansada, esfomeada (e, muito provavelmente, sem ser capaz de comer), dorida e com um milhão de coisas para fazer antes de dormir e encontrar uma mensagem de uma amiga muito muito querida a dar-me um beijinho por ser o Dia Mundial da Fotografia, fez com que todo o resto se eclipsasse em segundos (menos a parte da dor, cortesia de um dente que é um querido e que, desconfio, caminha a passos largos para a desvitalização; um mimo!).

Juntamente com a mensagem vinha a imagem que ilustra este post (e que ela retirou daqui) e apesar de eu achar que a frase da ilustração não se aplica a mim, fiz questão de a colocar aqui. Porque me fez ficar durante alguns minutos a olhar para ela, a pensar. Porque a verdade (e é importante dizer que é a primeira vez que a reconheço e verbalizo publicamente) é que a Fotografia é um amor que me acompanha há muito, muito tempo. Há mais de uma década, para ser mais precisa. E se muitas vezes, ao longo destes anos, percebi que nenhuma outra actividade me preenchia tanto como fotografar, tantas outras empurrei essa realização para longe do pensamento. Porque sempre me quis convencer, fruto de um preconceito que me vinha não sei bem de onde, que fotografar seria sempre e apenas um hobbie. Porque sempre me quis convencer que teria uma profissão para pagar contas e, sempre ao lado, de mãos dadas com ela (e comigo), uma profissão do coração (porque a palavra hobbie me parece demasiado redutora). E, como profissões paralelas que são, nunca se cruzariam. Não havia como.

Acho que o momento em que considerei levá-la um pouco mais a sério foi quando, um dia, disse à minha outra metade que talvez na reforma me dedicasse à fotografia de outra forma. E se na altura isto me fez sentido (já nem sei muito bem porquê), hoje soa-me a ligeiramente ridículo. Porque eu sei lá o dia de amanhã, quanto mais o dia da reforma. E, principalmente, porque se sabemos o que nos faz felizes, para quê negá-lo, para quê adiá-lo?

Eu sei que as coisas só nos acontecem quando estamos realmente preparados para elas. Sejam coisas na nossa vida diária e exterior ao nosso corpo (mas não à nossa vida), sejam coisas dentro de nós. E por isso sei também que não podia ter pensando de outro modo até aqui. Mas hoje, quando olhei para esta imagem que a minha amiga me enviou, percebi que algo mudou. Porque percebi também que sempre soube, ao longo dos últimos (muitos) anos, que a Fotografia e Fotografar têm sido sempre uma constante de felicidade na minha vida. Há, para mim, um significado qualquer profundo nestas duas coisas (que são uma só) que não encontro noutro lugar. Um significado que não sei explicar mas que me faz sentir cheia, preenchida, melhor, mais feliz. Porque percebi, finalmente, que as minhas profissões não têm de ser paralelas. Podem ser, em inúmeros momentos, perpendiculares. Ou até coincidentes.

Feliz Dia Mundial da Fotografia para todos :)

New York City, Day to Night

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Que eu tenho uma paixão assolapada por Fotografia, nesta altura do campeonato, já não será novidade para ninguém. Que o meu coração também bate um bocadinho mais depressa por essa extraordinária cidade que é Nova Iorque, penso que também não. Não será, pois, de estranhar, que quando as duas coisas se juntam eu dê por mim numa espécie de excitação infantil (ao nível de criança que dá por si na Disneyland, por exemplo), que tenho de partilhar com o maior número de pessoas possível.

E é por esta razão que hoje vos quero mostrar um projecto de um fotógrafo nova iorquino chamado Stephan Wilkes, que dá pelo nome de “Day to Night” e é uma espécie de declaração de amor pela cidade do seu coração (e do meu). Esta que vos mostro aqui é apenas uma da série completa que podem ver aqui.

(E isto lembra-me de um livro de fotografia que tenho aqui em casa (que adoro) e também hei-de partilhar convosco em breve ;) )

Pedaços de Lisboa // Vintage Bazaar

Que eu gosto de coisas bonitas não será novidade para ninguém (excepto, talvez, para os mais distraídos). Que eu gosto de fotografar (ou simplesmente apreciar) coisas bonitas (sítios, pessoas, paisagens, objectos, sentimentos), também penso que não. O que talvez não saibam é que o que me tem faltado nestas últimas semanas (se ignorarmos tudo aquilo que vou fotografando por casa ou nas minhas rotinas diárias) tem sido tempo para conhecer sítios novos, para poder observar-lhes os detalhes, as cores, as formas, a luz. Para os fotografar com a calma e a atenção que os pequenos pormenores exigem.

Felizmente, desde que me juntei à Sofia na sua (nossa) Academia, temos conseguido somar locais bonitos às reuniões de trabalho. Pedaços desta bela Lisboa que ajudam à inspiração, trazendo o melhor do pensamento lateral para as equações, projecções e cenários do raciocínio analítico.

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Um desses sítios, que se cruzou connosco no final de uma manhã de trabalho, é a loja da Vintage Bazaar, no Chiado.

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Conhecia a marca de nome, de tantas palavras boas ter ouvido e lido sobre ela. Nunca tinha – confesso – entrado numa loja e nunca me tinha dado conta que a marca era um embrulho para muito mais do que roupas para miúdos e graúdos (ou miúdas e graúdas). E foi – confesso outra vez – esse muito mais que me encheu os sentidos e as medidas, e me fez tirar a máquina – que, felizmente, tinha comigo – da mala e começar a fotografar (depois de recebida a devida autorização, claro está).

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E garanto-vos que se pudesse e tivesse onde o meter, o sofá tinha vindo comigo. E as almofadas. E as placas fofinhas com frases bonitas. E a caixa com flores que estava na montra, junto aos bules. E os bules (uma dúzia deles). E o gira-discos. E o sofá, já disse o sofá?

New York City in the summer of ’69

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Partilhei-o na página de facebook do Show me Pretty, mas não posso deixar de o fazer aqui também: 31 fotografias de Nova Iorque, tiradas no Verão de ’69 (esta que aqui coloco é apenas uma delas).

E esta é uma das inúmeras coisas que me fascina completamente no que à Fotografia (com F maiúsculo, pois!) diz respeito: o poder que tem de nos transportar para outra época, para outros momentos, para outros locais. Mesmo aqueles que não vivemos.

Easter Break

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Pedaços de meia dúzia de dias de pausa que trouxeram consigo uma série de coisas boas como família, casa (que é como diz, também, alentejo), flores, cores, brincadeiras e descanso.
Espero que tenham tido uma Páscoa, no mínimo, tão boa como a minha.

Pieces of a small easter break that brought with it a handful of great things such as family, home, flowers, colors, playing around and a lot of rest.
I hope your Easter was, at least, as great has mine.

Fotografia em 35 mm // 35 mm photography

(scroll down for english version)

Quem me conhece bem sabe que a fotografia (enquanto arte mas também enquanto ‘diário de bordo’) é das actividades que mais me preenchem. De tal modo que a câmara fotográfica é uma espécie de extensão do meu corpo, um órgão a mais que decidi prender a mim e que se liga a todos os outros, completando-os. Completando-me.

Tenho várias máquinas e apenas uma é digital (a do telemóvel, obviamente, nem conta para a estatística). O que significa que também tenho por aqui muitos rolos de 35 mm (religiosamente arquivados e etiquetados) e uns quantos de 120 mm. Infelizmente, a fotografia clássica (gosto de a chamar assim) transformou-se numa actividade demasiado dispendiosa e o digital, para o bem e para o mal, veio para ficar.

Mas, como dizia, o que por aqui não falta são rolos de 35 mm revelados. E hoje apeteceu-me folheá-los e claro que não resisti a digitalizar uns quantos. O meu scanner de negativos é velhinho e de qualidade duvidosa. O vidro está sujo, a luz de vez em quando falha e o resultado deixa muito a desejar. Mais ainda quando o rolo saiu de uma lomo lc-a, internacionalmente conhecida (e amada) pela sua pouca ‘precisão’.

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Mas, ainda que desfocadas, imperfeitas e sobre ou sub-expostas (e por estarmos a menos de um mês da Primavera e isso ser sempre motivo de felicidade), hoje trago-vos flores ‘analógicas’ (e fico com vontade de ir comprar meia dúzia de rolos e de levar as minhas máquinas a passear). Bom início de semana! :)

Those who know me well, know that photography (as a form of art but also as a way of documenting our lives) is, for me, one of the most fulfilling activities. I see the camera as if it were an extension of my body, something that completes me.

I have several cameras and only one of them is digital (obviously i’m not even taking the mobile phone camera into consideration). Which means I also have a lot of 35 mm processed film (religiously labeled and filed) and also some 120 mm film. Unfortunately, photographing with film as become too expensive and, for better and for worst, digital photography is here to stay.

But, as I was saying, I have a lot of 35 mm processed film. And today I really felt like going through it and I couldn’t help it: I had to scan a few negatives. My film scanner is really old and not that good. And since I decided to scan some film I used in a lomo lc-a camera (known and loved for it’s lack of ‪accuracy and precision‬), the outcome is really not perfect.
Even so, and despite of being out of focus, imperfect and over/under exposed (and because we can finally start to celebrate the beginnings of spring!) today i bring you some “film” flowers (and I feel like going out, buy some film and take my cameras for a walk). Have a nice week! :)

365 dias, 365 rostos // 365 days, 365 faces

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(Fonte: Nuno Ramos)

Gosto muito de fotografia conceptual. Também gosto de editoriais de moda, de estúdios e fotografias encenadas, trabalhadas à exaustão para que a perfeição fique um pouco mais próxima. Gosto da pós-produção e aprecio e valorizo o trabalho de um pós-produtor da mesma forma que aprecio uma pintura. Porque reconheço a arte na capacidade de pegar em tintas e pincéis reais e transformar uma tela em branco numa imagem maravilhosa da mesma forma que a reconheço na capacidade de fazer o mesmo com pincéis e tintas digitais, mesmo se não se partir de uma tela em branco.

Mas o que eu gosto mesmo, o que me deixa mesmo feliz, é a fotografia das coisas, das pessoas e das situações do dia-a-dia. Fotografias que contam histórias, que imortalizam rostos, emoções, momentos, vivências. Por isso é que me esqueço do tempo a folhear o Snaps, do Elliott Erwitt, que a minha irmã me ofereceu no último Natal. Por isso é que tenho este sonho secreto de um dia poder construir e não apenas contemplar imagens destas. Construir a felicidade que a fotografia das coisas, das pessoas e das situações do dia-a-dia me dá e não apenas ir sugá-la às fotografias que os outros tiram.

Mas enquanto esse dia não chega (porque ele há-de chegar, vos garanto) alimento-me daquilo que vejo os tais outros fazerem. Seja a folhear livros de grandes nomes da fotografia, seja a descobrir projectos de nomes não-tão grandes assim, mas igualmente capazes de congelar emoções e vivências. Descobrir o projecto 365 dias, 365 rostos foi, por isso, uma agradável surpresa neste sábado cinzento. Fotografar um rosto por dia durante 365 dias é o desafio a que Nuno Ramos, o seu autor, se propõe. Cerca de 30 já estão fotografados. Cá estaremos para acompanhar o Nuno durante os próximos 335.

I like conceptual photography a lot.  I also like fashion editorials and all kind of “think through” photography. I also admire the post production work and I really see post production professionals as artists just as much as I consider someone who grabs a brush and some paints and makes magic out of an empty canvas an artist.
But what I really love, what makes me feel really happy, is street photography and lifestyle photography in general, that is, the ability to capture moments, people expressions, emotions, experiences and interactions. That’s why I easily loose track of time while looking at Elliott Erwitt‘s Snaps my sister offered me last Christmas. And that’s also the reason why I have this secret wish and dream of one day being able to become a lifestyle/street photographer.
While that day doesn’t come I get my photographic happiness out of other people’s work, whether we are talking about a well known worldwide photographer’s work or a less known photographer’s work. That’s why I started to feel happy today from the moment I discovered the project  365 dias, 365 rostos (365 days, 365 faces). Nuno Ramos’ (the project author) goal is to photograph one person a day for 365 days. He photographed around 30 people so far. And we will certainly follow his work for the next 335 days and faces.

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